Transição do melhor para o melhor

Este ano, como os que acompanham meu trabalho puderam perceber, não enviei nenhum tipo de mensagem para a festa natalina ou para a transição anual. Preferi permanecer em observação de como procedemos estes momentos, e esta observação gerou algumas reflexões que gostaria de compartilhar neste momento.

Observando o Natal,

Percebi o peso que colocamos sobre esta data, relacionando-o com  a composição familiar perfeita que devemos ou deveríamos ter (por imposição de um grupo maior). Mas, ocorre que a distância física, emocional e temporal que a maioria de nós percebe neste momento, torna esta data uma verdadeira tortura.
Em qualquer forma de relação com o mundo, seja pelas redes sociais, celulares, decorações e tudo mais, algo lembra-nos que precisamos estar e pertencer a uma família que possua um único padrão.

Existe família perfeita?

Cada sistema, família possui suas regras próprias, baseadas nas vivências de nossos antepassados e de suas crenças que foram criadas para a sobrevivência do grupo, estas regras e crenças são extremamente diversificadas, pois a vida requer este movimento diversificado e adaptável. Sendo assim, todas as constituições familiares são perfeitas, inclusive a sua, mas com peculiaridades e necessidades muito particulares.

Lanço a questão:

Fazemos mal ou bem emitindo o mesmo tipo de mensagem para todos que conhecemos indiscriminante, somente para cumprirmos um protocolo e sem percepção alguma da mensagem necessária a cada um de nossos amigos e de seu grupo familiar?
Como sentem-se nossos amigos sem família viva e de outras crenças religiosas?
Por esta razão, e por extremo respeito que imprimo em meu trabalho, não sentir-me apto a individualizar uma mensagem a cada um de vocês nesta data específica.

Observando a transição anual

Todos devem concordar que a ideia de recomeço é extremamente forte neste momento de transição anual,  passagem de um ano para outro, de que tudo ainda é possível realizar com novos projetos e experiências.

E qual a parte estranha neste processo?

Projetos e ideais são o que direcionam nossos esforços, só existe força neste processo, porem, voltando para a individualização e o respeito ao sistema de cada um, podemos observar que cada um nós e de de nossos sistemas possui um tempo diferente de contagem e de execução. Mais uma vez, quando fixamos um ponto comum a todos e sabemos que a maioria não se encaixa neste “tempo”,  a agressão torna-se maior que a força da motivação.
O produtivo da observação imparcial é vermos a essência de tudo, sem querer controlá-la.
A forma propagada de esperar o novo é a de que o que virá, será sempre melhor do que temos ou tivemos. Seguir este pensamento é a forma mais rápida e um dos maiores entraves que podemos colocar em nossas vidas.
Com esta base de pensamento, nunca estamos satisfeitos (Satisfação não é estagnação) com nossa família, nosso trabalho, nossa vida. Preferimos sempre olhar ao longe, a casa do vizinho, o trabalho que deveríamos ter, os anjos, a vida espiritual e recusamo-nos a olhar para nós mesmos, nossos, pais, nossos irmãos, nossa vida terrestre.
Tudo que eu não tenho parece melhor, e não percebemos que tudo o que eu tenho é perfeito e adequado ao momento. Tudo é amor até o que parece dor.

Olhe para baixo, para dentro, olhe para os lados e tudo que queríamos e pensávamos estar longe se aproximará em um velocidade surpreendente e de repente, a grama do vizinho parecerá bela mas, não tão bela como a sua.

Paz na alma e muita vida a todos com muita percepção de si mesmos.

Nelsom Cavalcante
Facilitador Sistêmico
(61) 999-793-886

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